domingo, 31 de julho de 2011

Sou apenas um pobre marido


Breves delírios - Livro de Fernanda Valencise

Cai chuva, cai avião,cai fogo...Cai. Sou um marido que às vezes quero que caia a comunicação, que caia a ligação, que ela me esqueça. Tantas chamadas na TV, pai sem terno e sem gravata, Jornal nacional, dramalhões da mídia aumentam o desespero da nação mais emotiva. "Ela saiu queimando do bimotor, mas eu não consegui chegar perto para salvá-la", disse o operário. "Tudo estava em perfeito estado", diz o diretor da viação. Aí, minha esposa entra numa viagem de medos surreais por causa do gato que foi envenenado. "Essa sociedade hipócrita, esse mundo torpe. Eu odeio o mundo, quero que todos queimem". Viagem comigo para um desastre maior
que, nem a imprensa,nem as pessoas da área científica preocupam-se que caia por terra. Alguns vão dizer que é bobeira minha mas, vá conviver com ela - BIPOLARIDADE. Será que nenhum psiquiatra tem como ajudar-me? Será que minha sogra pode parar de jogar os remédios de minha esposa fora, dizendo que remédio é veneno e que se ela tomar vai virar um robô? Arrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr. Minha mulher é bipolar, simmmmm, bipolar! E mesmo com todas as minhas forças, a força que dou para ela, o carinho, ligações de 26 horas direto no infinity pré, agora que viajei mudei para o infinity liberty e não tenho visto grande liberdade em minha vida. Será a bipolaridade ou a personalidade? Fico acordado enquanto dorme, pois só dorme porque eu canto e toco meu violão para amenizar a crise. Ouço sua respiração e fico contando os dias para
que o que a medicina promete sobre a cura através das células tronco aconteça. Pronto! Agora mesmo ela estava comigo no telefone. Desde que acordei estou com ela e também desde que dormi...Mas quando foi que realmente dormi mesmo? Só sei que pedi um minuto para escrever-lhes algo no blog e caiu. Ela desligou a ligação pois ainda é pouco. Cai por terra a pessoa do outro lado e cai por terra também a mãe que está do meu lado. Mas tudo só cai por terra porque eu caí. "Caiu de maduro, levanta". Pena que já sou adulto e isso não é aprender a andar no chão. Isso é aprender a andar na vida...Vid...Vi...V... ( ) Vácuo. (X)Cheio.
A propósito, faço tudo isso tendo Síndrome do Pânico, agorafobia,pico de ansiedade e
depressão...Imagino,então, como deve ser viver num corpo (X) de dores maiores que as minhas e tentar sair dele, achando que o ( ) é a melhor saída. Munch e Homer que me ajudem...


Eu te amo, vida. Isso é por que estou (X) hoje, tá? Te amo demais.


quarta-feira, 27 de julho de 2011

escrever, escrever, escrever até morrer


Breves delírios - Livro de Fernanda Valencise

Preciso escrever de maneira frenética, rápida, ágil, todas as palavras possíveis do mundo, "all and more". "Mor-re". Por que quero não ser entendido, quero apenas que saiam toscas, idióticas, neologísticas palavras do meu cerne, da minha palma, da minha alma, do meu ser...Os cientistas desconhecem o que é alma? Acabaram de contar-me isso. Absurdo, meu Deus. opa! Não existe Deus também? Então me digam o que existe de concreto neste universo pluricelular. Estou cheio. Cheio de átomos, elétrons e prótons que giram em torno de meu minúsculo núcleo plasmático. Doe viver cientificamente; é chato viver cientificamente. Será que ninguém percebeu que os próprios cientistas acham chatas as suas descobertas inúteis. Sim! Inúteis, pois todas as úteis eles não podem usar.
Blá." Chega, nêga". Espelho, espelho seu, diga-lhe se existe alguém mais bonito do que ... Fudeu! Falam muito desse cidadão. Fu deu ali, Fu deu aqui, Fu deu isso, Fu deu aquilo. Gente, deixa Fu dar.

Para Ammy Winehouse

Acho que você gostaria deste texto, garota.