quarta-feira, 15 de junho de 2011

Breves delírios - Livro de Fernanda Valencise

De todas as palavras que já escrevi, de todos os livros e poemas, blogs e sites onde posto meus trabalhos, ainda existe algo que quero dizer e não disse da maneira mais perfeita possível e vou começar a tentar agora.
Eu te amo
Na alegria e na tristeza a gente ama chorando ou sorrindo. Choramos de felicidade e sorrimos de ansiedade, de nervosismo. Hoje estou chorando de tristeza por ter de voar, mas minhas asas não são eternas. Vou cair como o anjo do nosso filme e perder essas asas pois desistirei de uma eternidade de distância para estar ao seu lado. Amar é viver o outro cada instante dentro de si mesmo. Você está em mim e eu em você. Não chore por mim, morena. Não chore que eu chego já. O amor por você, morena faz a saudade me matar. Mas ficarei vivo e pulsante para nosso reencontro. Até já, meu eterno amor.
O amor é isso tudo e além disso...Eu te amo com IF.
Amo valdi - Mãe do coração, obrigada, amor, amorzinho, Melina, Samuraizinho, filho amado e todos os seus irmãos, obrigada Goiás. Sou filha da terra agora também.

terça-feira, 14 de junho de 2011


Breves delírios - Livro de Fernanda Valencise

A primeira vez foi como um vulcão entrando em atividade. Tudo fervilhava, movia-se, pulsava, queria sair como uma devastadora onda de magma. Não entendi a principio mas, aos poucos e sem que tomasse consciência...Explodi. Corri até a mesa do quarto onde deixava meus livros, canetas, lápis, documentos, lembranças. Havia uma foto em um porta-retrato, antiga e límpida. Olhei para ela rapidamente, desviei e busquei deixar a mão apanhar o que queria. Subitamente ela cresceu diante ds meus olhos como se todo o quarto fosse engolido. Uma máquina de escrever, anos 80, verde escura. Abri com desespero aquela tampa e vi cada letra em poucos dias transformar-se em centenas de folhas cheias de palavras cortantes e profundas. Precisava entender o que me aconteceu pois, nunca antes havia encostado um dedo na Olivett Letera que minha mãe deu-me de aniversário de dez anos. A essa altura já estava com onze, gostava de desenhar, conversava com paredes, o espelho do banheiro era meu amigo confidente e minha professora de português minha mais amada mestra. Chegou a quarta-feira, dia de sua aula e eu, ansiava por sua chegada ao mesmo tempo que sentia o coração palpitar de medo ou vergonha. Afinal, que delírio foi aquele? Havia passado todo meu tempo no quarto, olhos fincados nas teclas da maquinazinha que fez o vulcão acalmar e conter a destruição que seria se descesse a sua lava.
- O que me aconteceu? Perguntei a professora, ainda cheia de medo e de vergonha, afinal ela leria toda aquela bobagem que levei dias fazendo ao invés dos estudos de casa.
- Minha querida, você fez um livro; um belíssimo livro que precisa ser lido por mais pessoas. Entenda o que vou lhe dizer...Você não tem nada de errado...É apenas uma escritora.
Nada entendi com a profundidade que ela impôs naquelas palavras. Mas por ser um pedido dela comecei a ficar após as aulas para mostrar-lhe o que continuava fazendo. As palavras iam brotando e ela me ensinava o que eram pensamentos. Sempre achei que ficavam na cabeça e não valiam nada de material. Dez anos depois estava em minha noite de autógrafos, vendo pessoas como eu entrar na livraria e comprar meus pensamentos. "Não deviam ser trocados por dinheiro", confesso.
cropocéfalomaniaquísmo meu. Ponto, virgula, acento, assento aqui, aculá, em todos os cantos brancos dessa vida tem de haver um louco, um médico e um escritor.



Continua na próxima postagem ; )

Caixa Preta

Caminhos na forma não literal da palavra significa, como sabemos, as estradas que seguiremos, os passos que daremos em direção ao que ansiamos. Desejos, vontades, necessidades, destino... Escolhas são caminhos invisíveis que não têm destino escrito em bilhete. Falaram-me uma vez que se errássemos o caminho, seguisse o outro e assim, sem baixar a cabeça ou desesperar-se, vu-alá... Uma hora você acerta o passo.
Hoje quero dizer para os que gostam de dar concelhos como esse que, todos os caminhos são certos. Não existe escolha errada quando se trata de escolher olhando as opções que se tem por um pequeno furo de uma caixa preta, vazia e fria. Se for para chorar inerte, dentro do seu quadro sócio-Depressivo, creio que abrir a caixa e pegar qualquer rota seja bem melhor do que o claustro. Piso na terra vermelha e sinto que a solidão ainda me acompanha e nesse caminho o ar é seco e causticante: Mudo a rota. Piso no asfalto, duro, frio, agitado, frenético, sem cor, no máximo o ar que respiro é cinza e ouço a todo instante "Aqui é diferente". Mudo a rota. Piso na areia da praia e ouço o vai-e-vem das ondas, o vento bate em meu rosto, os pensamentos fluem como oceanos e .... Achei. Palavras, palavras, mil palavras e um lápis. Ponho no pedaço de papel minhas dores, minha solidão, meus piores e melhores momentos, não de qualquer força, em forma de verso. Poetizo a vida e a vida, através daquele vai-e-vem dá-me o som de cada pisada. A caminhada na terra vermelha vira música, a estrada escolhida de asfalto vira música, os passos afundando na areia, molhados de sal...
Tudo que vem com o tempo,
tudo que vem no vento,
tudo que vai embora,
tudo dentro de uma sacola;
Pentes e documentos,
Fotos e pensamentos,
Prego prato e mola,
Todas as coisas são embora...
Máquinas e tormentos,
Martelos e instrumentos,
linha, agulha e cola,
Todas as coisas são embora...
Remédios e poemas,
Cigarros e dilemas,
Tudo numa gaveta,
Como se fosse a Caixa Preta,
De uma avião,
Em explosão,
no meu céu.

LETRA E MÚSICA: FERNANDA VALENCISE

PS: Nem toda caixa precisa ser aberta, como por exemplo a de Pandora, mas outras podem ser recicladas. Faça bom uso da sua.