segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Apneia

A música tocava enquanto,
Suavemente caia em pranto,
Uma semente de minha dor;
Da fonte bela,
Água aquarela,
Feichou-se um rio cheio de amor;
E a cidade inteira,
Se revoltou na poeira,
Clamou a tudo que é divino;
De traz pra frente,
Veio a corrente,
E eu,de homem,virei menino;
Agora passa,barquinho,passa,
Que este rio não tem trapaça,
Agora é tudo sem condição;
A cachoeira,a cerejeira,
O amor puro,
Sem solidão;
Nade, criança,
Sem a lembrança,
Apenas seja força vital;
Moleque rindo,
Mar indo e vindo,
Não mais à beira de um temporal.
Fernanda Valencise

terça-feira, 27 de julho de 2010

A partir de hoje estarei aqui no meu infinito particular que faço público,pois,nenhuma palavra deve se calar. Abraços a todos que passarem por este recanto de mim.


Fernanda Valencise
ESCRIVANINHA

Um dia todo cão late,
Quase todo arbusto cresce,
E as nuvens desmaiecem,
A tranca do portão bate;

A criança faz rabisco,
O rabisco vira letra,
A letra vira palavra,
Palavra vira caneta;

Caneta pode virar teclado,
E tela pode virar papel,
De qualquer jeito fica marcado,
Quadro pintado sem ter pincel;

Oficio puro de alma cheia,
Tem quem não goste de se calar,
E mesmo mudo enche a areia,
Desta semente que vai brotar;

Vem passarinho e leva um pouco,
Deixa cair do bico ao chão,
Chove mancinho e leve,solto,
Salta outro broto do coração;

De vez em quando minha fazenda,
Se vê enorme de tanta estrófe,
Vem e me colhe, olhos de renda,
Tece meu mundo que ri e sofre.

Fernanda Valencise