terça-feira, 27 de julho de 2010

A partir de hoje estarei aqui no meu infinito particular que faço público,pois,nenhuma palavra deve se calar. Abraços a todos que passarem por este recanto de mim.


Fernanda Valencise
ESCRIVANINHA

Um dia todo cão late,
Quase todo arbusto cresce,
E as nuvens desmaiecem,
A tranca do portão bate;

A criança faz rabisco,
O rabisco vira letra,
A letra vira palavra,
Palavra vira caneta;

Caneta pode virar teclado,
E tela pode virar papel,
De qualquer jeito fica marcado,
Quadro pintado sem ter pincel;

Oficio puro de alma cheia,
Tem quem não goste de se calar,
E mesmo mudo enche a areia,
Desta semente que vai brotar;

Vem passarinho e leva um pouco,
Deixa cair do bico ao chão,
Chove mancinho e leve,solto,
Salta outro broto do coração;

De vez em quando minha fazenda,
Se vê enorme de tanta estrófe,
Vem e me colhe, olhos de renda,
Tece meu mundo que ri e sofre.

Fernanda Valencise